1 de dezembro de 2011


Categoria(s): livros
3 comentários


Ferreira Gullar é um velho (com o perdão do trocadilho) conterrâneo meu. O poeta pertence ao Modernismo, se não me falha a memória de 1 ano sem estudar literatura. E eu acho muito bonito quando as pessoas conhecem a história e a cultura do lugar onde vivem, de onde nasceram. Por isso, com meus 14 ou 15 anos nas costas, fui na biblioteca mais próxima e peguei um livro do Ferreira Gullar. Porque eu acho realmente admirável quem já ouviu falar da produção literária, cinematográfica, quem conhece as lendas e mitos que cercam sua terra. E em se tratando de produção literária, não tenho do que reclamar do meu estado. Poesia ou prosa, vez ou outra a gente ouve falar de um escritor maranhense importante pra todo o cenário nacional. Aí eu fui na biblioteca e comecei a folhear um livro que encontrei. Não lembro o critério da escolha, mas provavelmente foi a capa ou algo que o valha. Talvez o título. Eu confesso que gosto de literatura que foge do “aí ele se ajoelhou e pediu a mão da Mariazinha em casamento, ela casou de branco e eles viveram felizes”. Um dos livros mais legais que eu li foi Travessuras da Menina Má, tire daí suas conclusões. Não afirmo com convicção que foi o título porque sinceramente não lembro, mas vai, você também teria o mínimo de curiosidade em ler um poema com o nome Poema Sujo. Ainda mais sabendo que ele foi escrito durante a Ditadura Militar (e será que não foi por isso que escolhi?).

Sei que eu peguei o livro e comecei a ler ali mesmo, em pé, entre as estantes da biblioteca. Porque no colégio só podia pegar 2 livros por vez e minha carteirinha estava sempre lotada de livros do Ensino Médio mesmo, eu só levava pra casa os livros que eu fosse ler rápido (pra esvaziar logo o espaço na carteira) e que eu realmente me interessasse, então sempre folheava o livro e começava a ler ainda do lado da estante pra saber se sentiria vontade de prosseguir com a leitura ou não.

E o começo do poema é muito legal, sonoro. Bonito de ler alto. Pena que não demorou muito pra que eu lesse:

azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu

Eu poderia ter parado aí. Poderia ter pensado “o teu!” e parado aí. Mas o verso seguinte é tão deprimente quanto cômico. E por isso eu não gosto de Ferreira Gullar. Admiro, mas não tenho nenhum livro dele. E nem vontade de ter. E nem vontade de ir até o Teatro pra ver ele pessoalmente. Encuquei com o coitado e primeira impressão é a que fica. Apesar de brilhante, Ferreira Gullar não me cativou. Bola pra frente.









3 comentários em “Azul. O teu.”


Em 01/12/2011 às 02:18h

azul, minha cor preferida, eu gosto dele, mas nunca consegui terminar de ler esse poema zzz


Em 02/12/2011 às 04:01h

Mas só por isso você desistiu dele?
Numa poesia uma palavra não é só uma palavra, têm múltiplos sentidos, está ali também por motivos vários – inclusive de sonoridade. Nem tudo é como realmente se vê.
E digamos que ele quisesse chocar…mas ainda assim. Acho admirável artisticamente falando. Só uma opinião.
Achei seu blog muito lindo! :D


Em 09/12/2011 às 00:02h

Bola frente. Próximo!?