21 de agosto de 2010




Mesmo com tantos romances acumulados e que chegaram na fila primeiro, ontem me deu uma saudade enorme de ler poesia. Ganhei um livro do Fernando Pessoa há uma semana e tenho certeza que poucos supririam minha necessidade visual e emocional como ele (Manelzinho, eu te amo!).

Nunca li, de fato, um livro completo do Pessoa, apenas trechinhos no livro do terceiro ano, a metade de Álvaro de Campos e uns poemas soltos na internet. Ainda estou na metade do Poesias e, a cada página, só confirmo o que eu pensava sobre o autor. Eu e toda a humanidade, já que ele é considerado o maior poeta português :)

Não gosto de ler antes de dormir porque fico deitada e o livro fica contra a luz, o que faz meu olho doer (aquela lâmpada brilhante no teto apontando pra mim, argh) e no outro dia eu raramente lembro do que falei/ouvi/fiz, não adiantaria muita coisa. Então, hoje acordei um pouco mais cedo e peguei o livro Poesias, que ainda estava dentro do saco de presente. Não posso mais passar tanto tempo sem ler umas verdades sobre a vida e sobre o amor, mesmo que com um leve tom de pessimismo.

O trechinho abaixo é de Passos da Cruz e, em seguida, duas estrofes de Marinha.

Dêem-me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.

Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu.