Por Amanda em 17 de janeiro de 2012
Arquivado em pessoal, viagens



Eu, hein. Chega de posts reclamando e contando coisas ruins. Pensei infinitas vezes em excluir esse blog porque está ficando uma coisa insuportável, sempre imerso em um astral nada bom. Mas eu me sinto melhor agora. Estou mais otimista, mais calma, achando que, no final, tudo sempre fica bem.

Por um tempo, me tornei o que eu tanto condeno nos outros: o desespero. Me tornei o desespero, achando que tudo está errado e vai permanecer assim por muito tempo. Logo eu, que acredito tanto no movimento de rotação e na graça de um dia após o outro. Que acredito que viradas de ano são sim o indício de que a vida pode mudar pra melhor.

Eu estou com algum problema com meu quarto, tenho certeza. Nunca mais me senti bem lá, está tudo tão abafado, tão pequeno, apertado e bagunçado. E eu falo tanto aqui de quarto bagunçado, mas não é edredon enrolado em cima da cama e roupa pelo chão, não, porque isso é fácil de resolver em 15 minutos. É coisa demais, coisa desnecessária e velha, tralha, poeira em cima de porta-retrato e de livros sem leitores, caixa de papelão pelo chão (vai entender o motivo). Parece um quarto que não tem morador. O meu desespero do post passado foi que passei 2 dias fora de casa (viajando pra virada do ano) e quando entrei no meu quarto de novo, parecia que não era quarto de ninguém, que estava abandonado há meses ou anos, então fiquei realmente triste de um jeito que poucas pessoas entenderiam. Logo meu quarto, que sempre foi meu lugar favorito da casa, onde eu gostava de passar horas e nem perceber.

E acho que voltei a ser uma pessoa leve e otimista porque estou viajando de novo. Tem 6 dias que me entoquei no interior do Brasil e estou feliz por isso. Talvez esse tenha sido o maior indício que tinha (tem) algo realmente errado no meu quarto. Eu não gosto de sair, muito menos de viajar. Lembrei de umas cenas que fiz quando tive que ir pra Barreirinhas (olha só, o paraíso maranhense!) só porque não queria sair do meu canto de jeito nenhum. Fiquei briguenta e mal humorada, estraguei o passeio de muita gente. Tenho preguiça e acho que há poucos lugares no mundo onde eu ficaria melhor que ali, no meu quarto. E de repente me vi contente arrumando minhas malas, feliz por ficar 6 dias trancada num carro com duas crianças quase hiperativas e correndo um risco enorme (além de não gostar de viajar, tenho pâ-ni-co de rodovias), dormindo em hotel esquisito de estrada e forrando assento sanitário de posto com papel pra fazer xixi. Deu que cheguei no interior de Minas, há 3 dias estou dormindo num quarto que não é o meu, onde tudo está bagunçado (desta vez, com roupas pelo chão e edredon embolado mesmo), e há muito tempo eu não me sentia tão bem. Tão leve. Foi aí que percebi que o problema é o meu quarto mesmo.

Agora estou de novo com aquela sensação boa de que tudo vai dar certo. É só ter calma, fazer tudo devagar, um pouco a cada dia. Não tem um provérbio chinês que diz que uma jornada de não sei quantos mil quilômetros começa com um único passo?

Como disse minha prima:

Resolvi destralhar minha vida em 2012! Anotações, livros desatualizados, roupas velhas, chatices, caixas em desuso, sentimentos que me fazem ficar mal, sapatos acabados, móveis antigos, falsidade… Tudo indo pra longe! Que todos os meus amigos façam o mesmo e provem da maravilha que é se livrar de tudo que nos atrasa e faz sofrer! Um 2012 limpo, claro e cheio de amor pra todos nós!