Por Amanda em 2 de julho de 2010
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O que mudou? Feriados acabaram, nada de sair mais cedo das aulas ou elas simplesmente não ocorrerem, nenhuma mulher andando com desenhos mal feitos de bandeira/bola/estrelas nas unhas, nada de promoção Infinity da TIM até 2014 e os homens que vendiam bandeiras e camisas nos sinais de trânsito terão que arranjar outra forma de ganhar a vida. Depois do jogo, quando abri a janela, consegui ouvir até os grilos. Nada de fogos de artifício, música alta, conversa, risos, gritaria, como era de costume. Eu tô triste, estava realmente torcendo. Fiz docinhos de coco cobertos com açúcar amarelo e em forminhas verdes, comprei pipoca e refrigerante pra todos os jogos, assistia sempre com a camisa da seleção… É a minha primeira copa consciente, poxa. Primeira copa depois de um nacionalismo desenvolvido e mantido somente por mim.

O que eu não aturo? Ler tuites de meninas fazendo símbolo do rock com as mãos e fazendo careta-eu-rosno no avatar dizendo “Agora me resta torcer pra Holanda [pois provou que é melhor que o Brasil] ou pra Argentina [pra taça vir ao menos pra América do Sul].” Agora só ME resta acreditar que ela não entende nada de futebol (e de geografia, já que ela falou isso depois da vitória do Uruguai) e perdeu a chance de ficar calada. Olha que eu também não entendo de futebol, mas não passo uma vergonha dessas, né? Conheço meus limites, minhas ignorâncias.

E jura que as pessoas que falam que a Holanda “provou que é um time bom” foram as mesmas que assistiram ao jogo? Provavelmente são as mesmas que falam que amam o Brasil e têm orgulho de ser brasileiras… mas só de quatro em quatro anos e se o Brasil vencer. A Holanda não jogou nada hoje. Podem falar “mas ganhou do Brasil” ou qualquer outra coisa: não jogou. Sem termos técnicos, apenas com a linguagem de uma menina que nunca foi fã de futebol: nenhum holandês fez a jogada desde o lado brasileiro do campo pra fazer gol como nós fizemos várias vezes, por mais que na maioria delas a bola não tenha entrado. Não é nada bonito agora sair xingando Dunga, Felipe Melo, Kaká (tu não jogou nada, hein, bonitinho?) ou Júlio César. Não culpo ninguém. Minha pressão baixou e fiquei ansiosa demais com o primeiro gol e muda e sem reação após o segundo, imagina como eles estavam se sentindo. Tudo estava nas mãos deles. Eu fico nervosa e respondo besteira em uma provinha de vestibular, que decide só a minha vida, como esperar mais da parte deles? Só que sempre vai existir quem ache bem mais fácil culpá-los, xingar muito e dizer que odeia ser brasileiro. O que eu odiaria é ser brasileira assim.

Nota: Falar mal sem ter | assistido | ao jogo é mais fácil ainda! (Querido Colírio, não precisa se sentir oprimido e no final da década de 1960, não. Você fala o que quiser no seu twitter e eu falo o que quiser no meu blog, combinado?)

Antes de parar de falar de futebol (pra evitar constrangimento, porque não entendo nada), quero registrar esse vídeo que assisti na ESPN. Sinto frio na barriga, a mensagem é forte e foi bem escolhida, é um texto muito bem escrito.

Só que cá entre nós… Essa copa surpreendeu a todo mundo desde os primeiros jogos, né?

Nota 2: perdoem meu post, é escrever assim ou fechar o blog de vez, o que eu não quero. Ainda bem que já avisei a todos no twitter (sempre reclamo disso lá), mas aos desavisados: meu vocabulário está POBRE.




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