Viver com planos não é necessariamente ruim. Não traçar metas, não planejar terminar o inglês e frequentar academia parece bem na moda, mas não funciona pra todo mundo. E esse texto nem é uma indireta pra ti, Mozi, porque acho que já te fiz entender que, apesar de tu achar que não devemos fazer planos, eu realmente preciso deles. Escrevo isso pra quem prega que ninguém deve fazer planos de Ano Novo. Ninguém uma vírgula. Esse ano eu não fiz e me sinto desnorteada nesse momento. Ok que eu pensei em algumas coisas, mas isso, pra mim, não funciona. É preciso anotar tudo, rever, planejar como realizar, guardar bem escondido e escrever em cima “happy new year”. Não sei se foi 2011 que terminou ruim (ruim há uns 3 meses, só porque o destino me ama) ou se foram os pequenos estresses do meu primeiro de janeiro os responsáveis por esse sentimento. Até acho que seja tudo isso. Verdade que há muito tempo eu não andava tão estressada com mínimas coisas. E eu sei que isso faz um senhor mal. Mas quando entrei no meu quarto, cansada, depois de uma viagem, vi que estava tudo bagunçado. E que a vida está sempre (sempre sempre sempre) toda bagunçada. E que tudo tudo tudo é irritante. Isso não é TPM. Quem me dera. Nenhuma TPM dura meses inacabáveis. E nem que eu não durma amanhã. Nem que eu me torne um zumbi ambulante. Vou colocar ordem nesse quarto. Depois na minha agenda. Nos meus planos. Traçar minhas metas de ano novo e ver o que eu preciso começar a fazer pra que tudo dê certo. Mesmo que eu esqueça o que eu prometi em fevereiro, como sempre. Mesmo que nunca na minha vida eu tenha lido a lista de desejos no fim do ano pra ver se alguns se concretizaram. Fazer planos é importante pra mim. Só percebi isso depois de não ter feito nenhum. E se é pra você também, quero ver a sua lista de desejos, de planos, de sonhos. Quero que você faça. Porque quem não quiser fazer, quem achar que é bobagem, que simplesmente não faça e que pare de procurar seguidores. Porque alguns acreditarão que tudo é lindo e mais simples sem planos, como eu acreditei. E depois ficarão frustrados e tristes por não terem tirado 15 minutos pra revirar o cérebro pensando em coisas pra anotar, como eu fiquei. E não é o melhor dos sentimentos pra um começo de ano. Então meus votos de ano novo só são esses: que em 2012 você faça o que funciona pra você. Que busque sua própria felicidade, mesmo que seja mais legal agir ao contrário. Mesmo que te digam que é mais legal do outro jeito. Que você continue acreditando no que acreditava, que mantenha tradições, que mantenha superstições sem desacreditar em você pra acreditar no primeiro revolucionário que fala. E, se eu esquecer mesmo de tudo em fevereiro, pelo menos passei o janeiro feliz.

Em 2012 eu desejo que você não perca contato com o que você é. Que nós não percamos.
Eu não ia postar sobre isso. Eu não ia postar hoje. Meu próximo post seria sobre maquiagem e provavelmente amanhã (porque há 1 semana eu espero uma câmera fotográfica emprestada). Mas eu não aguento mais.
Cachorro sendo chutado até a morte. Pessoas que batem em animais com coisas (geralmente até deixar danos sérios, como fraturas). Foto de animal sem pele no Facebook e um monte de palhaço demente sorrindo. Notícia de cachorro enterrado vivo no jornal.
Eu não compartilho notícias tão ruins assim. Confesso que hora ou outra, compartilho links sobre animais e como eles são tratados (e sempre de um jeito legal, por alguma instituição que cuidou de um bichinho de rua e agora ele anda lindo e penteado), mas nada que obrigue ninguém a ver fotos perversas. É que nem vejo muito propósito nisso. Se fosse algo como “aceitamos doações de alimentos e remédios para cuidarmos desse animal, clique se quiser ver a foto” ou “olha a cara do psicopata que maltratou um cachorrinho e está foragido, ajude a encontrá-lo”, até que valeria a pena divulgar, compartilhar, publicar em todos os lugares. Que nem quando alguém posta no Twitter que perdeu um cachorrinho: eu sempre dou Retweet. Mesmo sendo em outro estado, a centenas de quilômetros daqui, eu divulgo – vai que alguém acha? Mas só espalhar por aí fotos de animais sofrendo sem propósito nenhum? Ou existe algum propósito em acabar com o dia de alguém? Porque eu, sensível pra isso como sou, fico abalada até a alma. Em vez de postar foto de cachorro sofrendo e gato pendurado, eu só tenho vontade de postar corações. Infinitos corações. Porque eu queria mesmo era colocar todos esses animais em uma casa com muito, muito, muito muito amor. Eles merecem. E eu ainda vou realizar o meu sonho de fazer isso, escrevam o que falo.
E pros agressores, eu desejo cadeia. Mas não só três meses. Animal sente fome, frio, medo, dor. A única diferença entre um animal e um ser humano é que o animal não faz uma barbaridade dessas quando o único motivo é diversão própria ou TPM. Por mim, apodreciam na cadeia. Quem tem coragem de fazer isso a um animal não está muito longe de fazer com seres humanos. Olhar nos olhos deles, ouvir a dor deles e continuar fazendo? Ninguém me convence que um “ser humano” desses é normal e indefeso e que só três meses de cadeia ou serviços à comunidade vai mudar o quadro.

A todos os animais que precisam de respeito.
Ferreira Gullar é um velho (com o perdão do trocadilho) conterrâneo meu. O poeta pertence ao Modernismo, se não me falha a memória de 1 ano sem estudar literatura. E eu acho muito bonito quando as pessoas conhecem a história e a cultura do lugar onde vivem, de onde nasceram. Por isso, com meus 14 ou 15 anos nas costas, fui na biblioteca mais próxima e peguei um livro do Ferreira Gullar. Porque eu acho realmente admirável quem já ouviu falar da produção literária, cinematográfica, quem conhece as lendas e mitos que cercam sua terra. E em se tratando de produção literária, não tenho do que reclamar do meu estado. Poesia ou prosa, vez ou outra a gente ouve falar de um escritor maranhense importante pra todo o cenário nacional. Aí eu fui na biblioteca e comecei a folhear um livro que encontrei. Não lembro o critério da escolha, mas provavelmente foi a capa ou algo que o valha. Talvez o título. Eu confesso que gosto de literatura que foge do “aí ele se ajoelhou e pediu a mão da Mariazinha em casamento, ela casou de branco e eles viveram felizes”. Um dos livros mais legais que eu li foi Travessuras da Menina Má, tire daí suas conclusões. Não afirmo com convicção que foi o título porque sinceramente não lembro, mas vai, você também teria o mínimo de curiosidade em ler um poema com o nome Poema Sujo. Ainda mais sabendo que ele foi escrito durante a Ditadura Militar (e será que não foi por isso que escolhi?).
Sei que eu peguei o livro e comecei a ler ali mesmo, em pé, entre as estantes da biblioteca. Porque no colégio só podia pegar 2 livros por vez e minha carteirinha estava sempre lotada de livros do Ensino Médio mesmo, eu só levava pra casa os livros que eu fosse ler rápido (pra esvaziar logo o espaço na carteira) e que eu realmente me interessasse, então sempre folheava o livro e começava a ler ainda do lado da estante pra saber se sentiria vontade de prosseguir com a leitura ou não.
E o começo do poema é muito legal, sonoro. Bonito de ler alto. Pena que não demorou muito pra que eu lesse:
Eu poderia ter parado aí. Poderia ter pensado “o teu!” e parado aí. Mas o verso seguinte é tão deprimente quanto cômico. E por isso eu não gosto de Ferreira Gullar. Admiro, mas não tenho nenhum livro dele. E nem vontade de ter. E nem vontade de ir até o Teatro pra ver ele pessoalmente. Encuquei com o coitado e primeira impressão é a que fica. Apesar de brilhante, Ferreira Gullar não me cativou. Bola pra frente.

Um mês de férias. A internet parou de funcionar. A câmera fotográfica parou de reconhecer o cartão de memória e não quer prestar por nada. O pé da máquina de costura também parou completamente (e aquela porcaria descartável me custou 40 reais!). O namorado está em época de provas na faculdade. Aí você diz “e por que você não sai sozinha pra lanchar, assistir a um filme ou só olhar vitrine?”. E eu te digo que os policiais, bombeiros e delegados estão de greve, ao mesmo tempo, e os bandidos estão todos assaltando nas ruas, nos sinais de trânsito, nas lojas. E depois do assalto, eles saem andando normalmente. Aí você me diz que eu só tenho mais uma semana de férias e pede gentilmente que eu não entre em pânico por não ter absolutamente nada pra fazer. E eu penso se topo ou não.
Fiz bombons de chocolate recheados de casadinho (leite condensado e brigadeiro) pra me acabar. Enquanto esfriava e eu esperava ansiosamente pra comer, meu irmão menor achou que deveria distribuí-los a todas as crianças do condomínio e assim fez. E eu não comi nenhum. Aí eu fiz bem-casados recheados de doce de leite. Mamãe, na melhor das intenções, colocou na geladeira pra não estragarem e eles ficaram duros (bolo solado, sabe?).
Ontem fui na casa de uma amiga pegar dois filmes pra assistir aqui no meu quarto. E ontem mesmo, de noite, meu ventilador maravilhoso caiu e quebrou. “Mãe, tem dvd no seu quarto pra eu assistir aos filmes lá? Aqui tá calor demais”. E adivinhem a respota? Pois é, não tem. Ler e fazer crochet? Essas coisas são legais, exceto quando são as únicas coisas que você tem pra fazer. Nem todo mundo vive um mês só lendo e crochetando. Me sinto numa fazenda. E eu odeio fazendas justamente porque morro de tédio nelas.
Mas é assim mesmo, people. Se as coisas ruins tivessem acontecido uma de cada vez ou enquanto eu passava aproximadamente 12 horas por dia estudando, não seria minha vida.